Criptomoedas e NFTs (tokens não fungíveis) são ativos financeiros valiosos, e ganham corpo e um mercado cada vez maior. NFTs como obras de arte digitais, objetos virtuais colecionáveis, músicas, avatares e skins (roupas usados pelos personagens nos jogos de videogame) se traduzem em alta rentabilidade, e a eles se junta, agora, o metaverso, um mercado imobiliário com a compra de terrenos e imóveis virtuais.
Um estudo promovido pela Bloomberg Intelligence mostra que há uma oportunidade de mercado de US$ 800 bilhões nesse mercado virtual. Em novembro do ano passado, por exemplo, mais de US$ 86 milhões foram movimentados com a compra de terrenos do jogo The SandBox. Segundo a plataforma de métricas NonFungible.com, mais de US$ 300 milhões foram negociados em vendas de NFTs na primeira semana de dezembro, dos quais praticamente um quarto do valor foi destinado à compra de terrenos digitais.
– Isso começa principalmente com as empresas produtoras de jogos enxergando a oportunidade de fazer receita através de uma especulação imobiliária. No ano passado teve já alguns shows, como o do rapper americano Snoop Dog (que comprou um conjunto de terrenos no The SandBox e batizou-o de ‘Snoopverse’) e dos cantores Ariana Grande e Justin Bieber. Em dezembro inclusive circulou a notícia de que um usuário comprou um terreno para ser vizinho do Snoop Dog e pagou por volta de R$ 2,5 milhões na cotação da época – relata Robinson Silva, sócio da GRI Club.
Silva pontua que imobiliárias estão nascendo no metaverso para atender à demanda. A pioneira é a Metaverse Property, empresa do Metaverse Group que está dentro do jogo The Centraland e comprou terrenos por 2,43 milhões de dólares. Ele diz que a empresa foi a pioneira nessa atuação com especulação imobiliária no metaverso.
Segundo o economista Fábio Tadeu Araújo, da Brain Inteligência Estratégica, a compra de imóveis e terrenos virtuais segue a lógica da comercialização de bitcoins.
– Envolve moeda virtual e o conceito de blockchain, que é uma transação fechada, controlada e garantida entre duas partes, que prescinde da necessidade de algum registro em bolsa, CVM ou cartório. O investimento é similar porque, da mesma maneira que a pessoa compra qualquer moeda virtual e essa moeda pode ser valorizada ou desvalorizada de acordo com a procura, o preço de uma propriedade no metaverso vai valorizar ou desvalorizar de acordo com a procura de pessoas físicas, empresas e investidores. Já existem palácios, mansões e até casas de espetáculos. O valor vai flutuar de maneira similar às flutuações das moedas virtuais – explicou ele.
Publicado em 03/03/2022