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Participação do crédito imobiliário no PIB Nacional pode crescer, desde que haja mais oferta de recursos e juros menores

É o que pensam executivos dos grandes bancos do país

Há uma década, o crédito imobiliário brasileiro passou de algo em torno de 5% para 11% do PIB Nacional, e há muito espaço para crescimento, desde que haja principalmente mais oferta de recursos e juros mais baixos. É o que pensam os principais executivos do setor imobiliário dos principais bancos do país, reunidos no ABECIP Summit 2026, que aconteceu em São Paulo, um dia depois do evento da Prognum intitulado “O Futuro do Crédito Imobiliário”, em 17 de agosto, também na capital paulista.

O crédito imobiliário de países como África do Sul (23%), Chile (26%), EUA (41%) ou Reino Unido (56%) têm uma participação no PIB consolidada, demonstrando o longo caminho que o setor tem a percorrer por aqui. Mas isso é visto como oportunidade pelos executivos. “Isso pode ser interpretado como uma oportunidade para crescimento. Não vejo como um gargalo”, apontou o Presidente da ABECIP, Michel Cury.

Para a Vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, há espaço para crescimento, e o banco estatal está de olho nisso. Segundo ela, a Caixa prevê uma ampliação dos financiamentos na ordem de 10% para este ano, movida por linhas com recursos de poupança e com recursos do FGTS. Mas ressaltou que o crescimento deve ser planejado cuidadosamente, sem soluções heterodoxas. “Não tem bala de prata”, ponderou, pontuando que o custo do funding e a estabilidade macroeconômica são elementos fundamentais para a evolução do setor.

Já o Vice-presidente executivo do Bradesco, José Ramos Rocha, destacou o fato de que a inadimplência da carteira de crédito imobiliário no setor está baixa e estável, na ordem de 1%, apesar do quadro de endividamento elevado das famílias. “A inadimplência é baixa no crédito imobiliário. O cliente deixa de pagar outras dívidas, mas não o imobiliário”, comemorou ele. “A taxa de juros é fundamental. Não adianta a gente se iludir, nem se comparar com outros países que têm juros baixos. E a estabilidade também conta. O gráfico do histórico da taxa de juros no Brasil parece um eletrocardiograma”, disse.

Para a Vice-presidente de Varejo do Santander, Ede Viani, é preciso atenção. “Vivemos em um cenário de inadimplência complexo. Por mais que o crédito imobiliário esteja blindado, há um cenário de indisponibilidade de renda. Isso faz com que a capacidade da população se financiar fique restrita”, alertou. Por sua vez, o Diretor de Estratégia, Planejamento, Clientes e Necessidades do Itaú, Flávio Iglesias, reivindica melhorias no arcabouço jurídico e regulatório, de modo a dar mais segurança para as instituições financeiras na concessão de empréstimos. “A demanda por crédito existe, mas a oferta muitas vezes fica limitada ao que a instituição acredita que irá acontecer lá na frente”, argumentou.

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