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Grandes bancos privados avaliam atuar nas faixas 3 e 4 do MCMV

Bradesco, Itaú e Santander querem abocanhar uma fatia desse mercado, hoje concentrado na Caixa

O jornal O Estado de São Paulo apurou e divulgou reportagem informando que o Bradesco, o Itaú Unibanco e o Santander estão avaliando conceder financiamento de imóveis no programa Minha Casa Minha Vida, um mercado hoje amplamente dominado pela Caixa. O motivo é simples e objetivo: o MCMV responde hoje por mais de metade da venda de imóveis novos no Brasil.

“Segundo fontes que falaram reservadamente, o que está em análise pelas instituições privadas são apenas os financiamentos de famílias no topo da faixa 3 (com renda mensal entre R$ 5 mil a R$ 9,6 mil) e na faixa 4 (R$ 9,6 mil a R$ 13 mil), ou seja, aquelas de renda mais elevada e menor risco de crédito. Os consumidores das faixas 1 (até R$ 3,2 mil) e 2 (R$ 3,2 mil a R$ 5 mil) estão fora do radar dos bancos. Em outros momentos, Bradesco, Itaú e Santander já sinalizaram interesse em entrar no Minha Casa, Minha Vida, mas essa hipótese nunca se materializou devido ao spread bancário – diferença entre a taxa de juros para captar o dinheiro e a taxa cobrada nos empréstimos – ser muito baixo em comparação com a concessão de crédito nos segmentos de médio e alto padrão”, revelou o jornal.

Nas faixas 3 e 4 do MCMV a quantidade de financiamentos chegou a mais de 230 mil moradias no período de um ano, mais do que o dobro registrado em anos anteriores. São imóveis até R$ 600 mil. É importante pontuar que as construtoras defendem, junto ao Governo Federal, a expansão da faixa 4 para famílias que têm renda mensal até R$ 21 mil, para o financiamento de imóveis até R$ 1,2 milhão, o que está em análise pelo Ministério das Cidades. Se acontecer, tal medida elevará ainda mais o público-alvo que interessa aos bancos.

“Embora o spread seja pequeno neste setor, o financiamento imobiliário permite aos bancos fidelizar os clientes por um prazo longo, uma vez que os empréstimos duram até 35 anos. Nesse período, os clientes passam a gastar com conta corrente, cartão de crédito, outras modalidades de crédito e aplicações financeiras. Além disso, o crédito imobiliário tornou-se um ‘oásis’ para os bancos em meio ao crescimento dos calotes nas outras linhas, afetadas pelo endividamento das famílias. Já a inadimplência do crédito imobiliário é baixa e estável, ficando em apenas 1%, na média. As famílias deixam de pagar outras dívidas, mas conservam a parcela da casa própria em dia, sob o risco do banco tomar o imóvel em caso de inadimplência acima de 90 dias”, escreveu o jornal, informando que “esse movimento ainda vai levar alguns meses para amadurecer”.

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