“O novo modelo de funding do crédito imobiliário brasileiro, criado para reduzir a dependência da caderneta de poupança e ampliar o uso de instrumentos de mercado, trouxe mais solidez para o sistema, mas também aumentou sua exposição às oscilações dos juros; e agora pede uma recalibragem antes de 2027”. A avaliação é do Presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), Michel Cury, observada durante a abertura do ABECIP Summit 2026, que a entidade realizou em 18 de agosto, em São Paulo, com patrocínio diamante da Prognum, entre outras empresas.
Cury acredita que o volume de crédito concedido e sucessivos recordes não é, hoje, a transformação mais relevante do setor nos últimos anos, mas sim a origem do funding do crédito imobiliário, com a diminuição da colaboração da poupança e o aumento das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras Imobiliárias Garantidas (LIG) e do mercado de capitais. Segundo ele, a diversificação fortalece o sistema, mas torna o custo do crédito mais sensível aos movimentos do mercado financeiro.
– Quando os vértices da taxa pré sobem, a captação a mercado fica mais cara. Como essas fontes ganharam peso, essa pressão chega mais rapidamente ao custo final do financiamento. A diversificação trouxe resiliência, mas também maior sensibilidade ao mercado. Não é um defeito do desenho, é uma característica dele. E características se administram com prazos mais longos, previsibilidade regulatória e calibragem contínua – afirmou o executivo.
O Presidente da ABECIP defendeu o novo modelo de funding, destacando que ele será aplicado em um cenário econômico diferente daquele observado durante sua elaboração.
– O modelo foi desenhado em 2025 e entra em vigor em 2027. E nesse intervalo algumas variáveis mudaram. Isso não invalida o que foi construído. Nenhum desenho complexo nasce pronto para sempre. Temos tempo para discutir evoluções com base em dados atualizados e chegar a 2027 com um modelo calibrado para o cenário atual – acredita ele.
Para Cury, o modelo precisará de ajustes. E de atenção redobrada:
– Estamos em agosto, falando de uma regra que começa em janeiro. Então, além das boas conversas, vamos precisar ter as boas ações apoiando todo esse debate e toda essa abertura para que, de fato, estejamos preparados e tenhamos, em janeiro, as condições adaptadas à realidade que vivemos agora – ressaltou, destacando que o desafio do setor é encontrar soluções que resolvam questões de curto prazo sem comprometer a sustentabilidade do sistema no longo prazo.
Em seu discurso na abertura do evento, Cury defendeu, ainda, que se façam esforços na redução do tempo necessário para concluir uma operação imobiliária.
– O cliente não compra a taxa. O cliente compra a casa. Entre a decisão de financiar e a chave na mão existe uma jornada de documentos, registros e prazos. Cada etapa tem um custo que alguém paga, e um tempo que ninguém recupera. Temos o compromisso de reduzir de forma significativa o prazo entre a proposta e a assinatura. Registro eletrônico de imóveis e padronização de processos entre agentes financeiros, registradoras e incorporadoras são agendas essenciais. Simplificar é hoje uma das formas mais eficientes de baratear o crédito – finalizou. É bom lembrar que a Esteira Digital Prognum é a solução exata para a aprovação do crédito imobiliário em tempo recorde e a mais completa solução do mercado, que atende exatamente a preocupação pontuada por Cury.