O Brasil é dono do maior sistema de open banking do mundo, com cem milhões de consentimentos únicos e um salto de 3 bilhões para 10 bilhões de chamadas de dados por semana. Agora, as instituições financeiras poderão oferecer a portabilidade de crédito pessoal no ambiente Open Finance, possibilitando, por exemplo, a migração de um crédito imobiliário para outro banco, por meio de uma proposta financeiramente mais vantajosa. Esse é um mercado que movimenta em torno de R$ 300 bilhões anualmente, que o sistema financeiro batizou de CPC – Crédito Pessoal Clean.
“A opção foi um produto muito simples, comparável, tem que ser muito claro quanto vai economizar quando tem uma oferta de portabilidade de uma outra instituição financeira. Hoje o crédito sem garantia tem uma amplitude, uma variabilidade de taxas muito grande. É uma operação que chega a cobrar 20% de juro ao mês. Vamos medir como o mercado reage a essa simplificação da portabilidade”, destaca a Presidente da Associação Open Finance, o arranjo de governança do sistema, Ana Carla Abrão.
Em novembro deste ano será lançada a portabilidade do consignado federal. “Vem por etapas. Mas ideia é chegar no crédito imobiliário, ou seja, abarcar todo o mercado do ponto de vista de portabilidade. O crédito consignado federal está previsto para entrar em produção em novembro, e com ele tem a questão da margem consignável, da conexão, ou não, com o Serpro e Dataprev”, explica Ana Carla.
“A expectativa é que o crédito pessoal retroalimente o próprio Open Finance, hoje com 130 milhões de consentimentos ativos e 100 milhões de consentimentos únicos, desconsiderando permissões repetidas do mesmo cliente. Desses 100 milhões, a estimativa é de um terço de contas ativas, ou seja, que por volta de 30 milhões de pessoas e empresas (cerca de 1,3 milhão) tenham pelo menos uma conta com consentimento da troca de dados. Quando a Associação começou, em maio de 2025, tínhamos em torno de 3 bilhões de chamadas de dados por semana. Hoje, estamos nos aproximando de 10 bilhões”, explica, em reportagem sobre o tema, o portal Convergência Digital.
A executiva garante que o modelo de desenvolvimento ajuda a explicar o sucesso do maior Open Finance do mundo. “Torna a evolução do ecossistema muito mais simples ou menos custosa, porque a gente já tem os trilhos de pagamento e os trilhos de dados conectados. Novas funcionalidades, novos produtos, têm custo de desenvolvimento por parte das casas que é menor, porque esse custo já foi embarcado lá atrás”, finaliza ela.