O Brasil tem um déficit habitacional de seis milhões de moradias, mas o déficit habitacional qualitativo do país é de 26 milhões de unidades habitacionais, consideradas inadequadas para moradia. Segundo o Diretor executivo da Comuta Arquitetura e Presidente do Instituto Comuta, Guilherme Mazon, essas habitações possuem, entre outros, umidade, mofo, ventilação insuficiente e ausência de revestimentos em pisos e paredes, condições associadas a impactos diretos na saúde, especialmente no aumento de doenças respiratórias.
Mazon garante que famílias atendidas por programas de melhoria habitacional no país têm menos crises alérgicas e menor necessidade de uso contínuo de medicamentos após intervenções como correção de infiltrações e melhoria da ventilação. Ele diz, também, que as condições da moradia influenciam diretamente no desempenho escolar de seus moradores, já que ambientes com calor excessivo, pouco espaço e que produzem baixa qualidade de sono tendem a prejudicar a atenção e a aprendizagem. Além disso, problemas recorrentes de saúde aumentam a ausência dos alunos em sala de aula.
O arquiteto diz que políticas habitacionais voltadas apenas à construção de novas unidades não são suficientes para enfrentar o problema, e defende a ampliação de programas destinados à requalificação de moradias existentes. Ele aponta as linhas de financiamento para reformas e projetos com foco em infraestrutura básica, como construção de banheiros, como uma das soluções a se adotar.