Uma verdadeira revolução na obtenção de certificados digitais. É o que promete o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, ao anunciar a proposta que cria a chamada Autoridade de Registro Eletrônica (AR Eletrônica), a ser analisada em abril pelo Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), após passar por consulta pública e processo regulatório. Segundo o Presidente do ITI, Enylson Camolesi, a novidade vai transformar a forma como os brasileiros obtêm certificados digitais.
“A AR Eletrônica vai permitir o serviço autoassistido. Isso cria muita facilidade ao cidadão, que pode, em tese, obter um certificado digital na hora e no lugar que ele quiser, através do celular. É isso que acontece em vários países da Europa e mesmo da América Latina, e estamos dando condições para que isso aconteça. Essa resolução foi discutida em 2025, mas por falta de condições técnicas não foi implementada até então. E agora estamos dando essas condições”, explica Camolesi.
Ele pontua que a inovação dispensará a presença de atendentes ou intermediários humanos no processo e a emissão do certificado ocorrerá inteiramente por meio digital. Para isso, ressalta, o cidadão precisará ter seus dados biométricos cadastrados em alguma base governamental.
O cidadão deverá apenas ter seus dados biométricos previamente cadastrados em alguma base governamental. Após baixar um aplicativo, o usuário fará a validação biométrica e passará por verificações tecnológicas de segurança — incluindo mecanismos para detectar tentativas de fraude, como deepfakes — antes de receber o certificado em nuvem.
“O resultado disso é mais acessibilidade, possibilidade de chegar com um certificado digital nessas condições de comodidade para o usuário e redução de custos na emissão, que pode levar a um preço mais baixo”, garante, pontuando que mudança tende a ampliar o alcance da certificação digital no país. Para o executivo, a AR Eletrônica abrirá espaço para novos modelos de integração com serviços digitais. “Também pode estar integrado em forma de aplicação a alguma vertical, bancária, marketplace, qualquer que seja”, exemplifica.
Por fim, Camolesi destaca que se discute a possibilidade do custo da certificação não recair apenas sobre o usuário final. Por meio da AR Eletrônica, acredita ele, bancos, instituições financeiras, agentes de crédito imobiliário e plataformas de comércio eletrônico podem remunerar as certificadoras, ampliando o uso da tecnologia em serviços digitais.