As contratações de crédito imobiliário para adquirentes cresceram 8% no primeiro semestre do ano, alcançando a marca de 179.454 contratos, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP). Para a Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás, o aumento é consequência de um mercado aquecido, onde as instituições financeiras destinam cada vez mais recursos subsidiados da poupança e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para o comprador final.
“Essa escolha das instituições de crédito resulta em algumas consequências. A primeira é que, para o adquirente, as taxas disponíveis no mercado, por utilizarem recursos subsidiados, seguem mais baratas que a Selic. Porém, para os incorporadores, o crédito tem ficado mais restrito, e isso é um desafio para os empreendedores fazerem novos projetos com crédito mais escassos e custos mais altos”, explicitou Fernando Razuk, Presidente do Conselho da Ademi GO.
Razuk destacou, ainda, a valorização dos imóveis. “A taxa de juros para o adquirente hoje varia de 8% ao ano a 12% a.a., a depender do cliente e do imóvel. Ou seja, além de ser uma taxa muito barata quando comparada à Selic de 15% a.a. o cliente ainda ganha com a valorização do imóvel que nos últimos três anos foi próxima a 20% ao ano”, ressaltou o executivo. Ele pontua que se analisarmos os juros do financiamento descontando a inflação, os juros reais são ainda mais atraentes. Com o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) próximo a 7% ao ano, os juros reais seriam de 1% a.a. a 5% a.a..
“Como as taxas dos financiamentos para os clientes são menores que a Selic, o investidor que estiver com recursos disponíveis para comprar sua unidade à vista pode optar por financiar seu imóvel, mantendo esses recursos em aplicação, e ainda ganhar com a rentabilidade extra resultante da diferença entre a taxa do seu financiamento, de 8% a.a. a 12% a.a. + TR, e o resultado da sua aplicação de 15% a.a. ou mais”, completou o Diretor de Pesquisas e Estatística da Ademi-GO, Credson Batista.
Razuk alerta, entretanto, que os bancos estão mais seletivos. “Com essa escassez de recursos dos subsidiados para empreendedores, os bancos se tornam mais seletivos e priorizam a disponibilização de recursos para as empresas mais profissionais e com uma governança mais atuante, trazendo segurança para os bancos e os adquirentes”, aponta ele. O Presidente do Conselho da Ademi-GO diz que a alternativa para as incorporadoras é buscar recursos no mercado de capitais. “Diante desse aumento no custo de produção, os incorporadores serão obrigados a repassar essa despesa incremental para o preço final, reforçando a tendência de valorização de imóveis nos próximos anos”, finaliza ele.