De acordo com o portal Metro Quadrado, grandes incorporadoras que atuam no programa Minha Casa Minha Vida estão recorrendo mais ao chamado pró-soluto, o financiamento que concedem diretamente ao cliente para completar o valor da venda – um reflexo da menor disponibilidade de FGTS aos compradores. Especialistas dizem que a iniciativa é preocupante porque adiciona uma camada de risco às empresas em um momento de maior endividamento das famílias e piora da inadimplência.
O portal utiliza como exemplo a incorporadora e construtora paulista Plano &Plano, cujo pró-soluto correspondeu a algo entre 7% e 8% do valor vendido pela empresa nos últimos três anos, mas pode terminar 2026 perto de 12%, segundo a companhia. “A carteira somava R$ 696 milhões no fim de junho, 38% a mais que um ano antes. O crescimento foi puxado principalmente pelas parcelas que serão quitadas durante a obra: o pró-soluto pré-chaves aumentou 53%, para R$ 418 milhões. Já no pós-chaves, onde o risco é maior, porque o comprador já recebeu o apartamento, a alta foi de 20%, para R$ 278 milhões, escreveu o portal.
“Nos últimos cinco anos, são menos clientes com capacidade de usar o FGTS para financiar seu imóvel, então as empresas acabam usando mais o pró-soluto,” disse o CFO da Plano &Plano, João Hopp, ao Metro Quadrado. Segundo o portal, em um relatório, o banco Santander disse que a Plano &Plano também aumentou o pró-soluto para conseguir vender para clientes mais comprometidos financeiramente sem recorrer a descontos. “Esse cliente não tem poupança e, se ele não tem os programas estaduais para dar a entrada ou acesso ao subsídio de complemento, é muito difícil comprar o imóvel, então o pró-soluto é a forma que as empresas encontraram para viabilizar, explicou Fanny Oreng, Head de Real Estate Equity Research do banco, ao portal.
“Na Tenda, o pró-soluto pós-chaves – que representa 85% do pró-soluto total da empresa – subiu para 9,9% do VGV no segundo tri, de 6,6% um ano antes, e o saldo de atrasos superiores a 90 dias cresceu 46% no intervalo. Na MRV, o pós-chaves já teve uma redução de 0,5% no último ano, para R$ 1,96 bilhão, enquanto no pré-chaves a queda foi mais forte, de 10%, para R$ 1,67 bilhão. A Plano&Plano também tem buscado reduzir a participação do pós-chaves na carteira de pró-soluto, que caiu de 60% para 40% nos últimos três anos. E a Tenda disse esperar que o pró-soluto pós-chaves volte para algo entre 7% e 8% do VGV. Ainda assim, o Santander vê a possibilidade de esse tipo de crédito pesar sobre a velocidade de vendas do MCMV nos próximos meses. Se esse cenário macro persistir, o banco já considera um bom resultado manter a velocidade de vendas nos níveis atuais. E, se as vendas perderem ritmo, as incorporadoras podem acabar lançando menos do que planejavam no início do ano”, informou o Metro Quadrado.