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2010 deverá ser um ano excepcional para o setor imobiliário

Mutuários contam com oferta recorde de financiamento: R$ 78,3 bilhões

Não será por falta de crédito que a habitação vai deixar de ter um ano excelente em 2010. Com a promessa do governo e dos bancos privados, os candidatos a mutuário contarão com uma oferta recorde de financiamento imobiliário: R$ 78,3 bilhões, dos quais R$ 45 bilhões da caderneta de poupança, R$ 24 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e R$ 9,3 bilhões do Orçamento Geral da União. “Se compararmos apenas os recursos liberados pela poupança e pelo FGTS no ano passado, de R$ 50 bilhões, teremos um crescimento de 38% nos desembolsos. Sem dúvida alguma, teremos um ano excepcional para a habitação”, diz o Ministro das Cidades, Márcio Fortes. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, diz que nem a perspectiva do aumento da taxa básica de juros (Selic) desanima o setor. Segundo ele, a maior parte dos empréstimos vem de linhas desvinculadas das taxas de mercado e somente o FGTS liberará R$ 3 bilhões pra subsídios à população de baixa renda. “Os juros deverão continuar oscilando entre 5% e 12% ao ano além da variação da Taxa Referencial (TR). Também a expansão dos prazos de pagamento para até 30 anos não deve ser freada. Esse alongamento é reflexo da estabilidade da economia”, explica ele. A economista do Banco Santander e especialista em crédito, Luíza Rodrigues, acrescenta que com o aprimoramento das leis, caso haja inadimplência do mutuário as construtoras e os bancos terão maior facilidade para retomar os empreendimentos e repassá-los adiante.”Por isso, não vejo como ter distorções no mercado, como o surgimento de bolhas”, afirma ela, ressaltando que o crescente do poder de compra tem contribuído para manter a inadimplência média do financiamento habitacional em torno de 2%, contra 8% do crédito geral às pessoas físicas. Um dos pilares do otimismo de Márcio Fortes é que o crédito de R$ 78 bilhões beneficiará famílias de todas as faixas de renda, das mais pobres, atendidas pelo Programa Minha Casa, Minha Vida, até as que querem financiar imóveis avaliados em R$ 500 mil. “As classes média e média alta terão à disposição o dinheiro da poupança e os menos favorecidos, do FGTS e do Orçamento da União”, explica o ministro das Cidades. Ele finaliza dizendo que ninguém deve se espantar se, ao fim de 2010, o total de empréstimos liberados superar o previsto. “Nos últimos anos, os desembolsos superaram todas as estimativas. E isso certamente se repetirá em 2010”, enfatiza.

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