“Mesmo em contextos muito diferentes, a mensagem foi a mesma: o Brasil voltou ao radar global como raramente antes. Mesmo com juros altos, 2025 foi um ano histórico”.
A afirmação é do CEO e cofundador da Loft, Mate Pencz, durante a Convenção Loft/ Portas 2026, que aconteceu dias 15 e 16 de abril, em São Paulo. Segundo ele, longe dos conflitos geopolíticos, fazendo a lição de casa na economia e com forte digitalização de serviços financeiros, o Brasil volta ao radar dos investidores globais, trazendo o que chama de “oportunidade da década” para o mercado imobiliário.
Pencz disse que em dois importantes encontros internacionais dos quais participou, um na Índia, sobre inteligência artificial, e outro em São Paulo, percebeu “um interesse raramente consensual sobre as perspectivas do mercado interno brasileiro”. O executivo destacou o início do ciclo de queda da Selic, aliada aos recordes do setor nos últimos anos. “Isso libera crédito, reduz o custo de capital e estimula investimentos”, disse ele, pontuando que a queda de juros acontece simultaneamente à manutenção dos juros mais altos nos Estados Unidos favorece o mercado imobiliário brasileiro.
De acordo com o Banco Central, o país recebeu, no ano passado, US$ 77,7 bilhões em investimentos estrangeiros, e o Brasil voltou a figurar entre os principais destinos globais do capital. No primeiro trimestre deste ano, a Bolsa de Valores registrou entrada de capital estrangeiro de quase R$ 54 bilhões no primeiro trimestre, outro número de corrobora ao bom momento. Pencz destacou os números do mercado imobiliário em 2025: mais de 453 mil unidades lançadas, cerca de 426 mil unidades vendidas e VGV acima de R$ 260 bilhões. “Agora, imagine esses fatores se combinando: juros em queda, capital entrando, tecnologia acelerando e o Brasil ganhando destaque global”, provocou ele.
O CEO da Loft ainda destacou a infraestrutura digital brasileira, que ele chama de “Brazil Stack”, formada por soluções como Pix e Open Finance. “É uma das infraestruturas mais avançadas do mundo e começa a transformar o mercado imobiliário”, completou. O executivo aposta na digitalização das transações, no uso da inteligência artificial, na automação dos processos e em novas formas de avaliação de imóveis como relevantes mudanças que revolucionaram o setor. “Estamos vendo o início de um ciclo de inovação relevante no setor”, garantindo que 52% das transações de compra e venda e 63% das de aluguel ainda acontecem sem uma imobiliária. “Capital, tecnologia e demanda estão se alinhando de um jeito raro”, finalizou.
De acordo com Pencz, a Loft planeja investir R$ 100 milhões em tecnologia neste ano e acelerar esse ritmo para R$ 500 milhões nos próximos três a quatro anos.