De janeiro a junho deste ano, a caderneta de poupança perdeu cerca de R$ 50 bilhões em aplicações, informa o Banco Central. Neste primeiro semestre, os depósitos somaram R$ 2,07 trilhões, porém os saques foram maiores — R$ 2,12 trilhões, promovendo um saldo negativo de R$ 49,64 bilhões. No mesmo período do ano anterior, o resultado foi de um saldo negativo de R$ 3 bilhões. Desde 2020 o Brasil não observa saldo positivo da poupança.
A poupança ainda é o investimento preferido do brasileiro. Em torno de 23% dos investidores no país optaram pela poupança em 2024, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Economistas dizem que o aumento dos saques pode indicar um maior endividamento das famílias. De fato, segundo o BC, a inadimplência das pessoas físicas subiu de 5,3%, em dezembro de 2024, para 6,1%, em maio de 2025.
— Com a taxa de juros mais alta, as pessoas, quando buscam crédito para comprar uma casa, um apartamento ou um carro, elas acabam tendo um custo maior para contratação desse crédito por conta da taxa de juros mais elevada. Então, encarece o crédito para as pessoas. As pessoas estão ficando mais endividadas e aí, portanto, reduzem o recurso que elas têm na poupança, ou seja, elas começam a despolpar — explicou Paulo Casaca, economista IPEAD/UFMG, em entrevista ao Jornal Nacional.