Para seguir a Instrução Técnica de Normalização nº 4/2026, que estabelece as bases técnicas do sistema e define como atos, documentos e informações devem ser estruturados, os cartórios de imóveis de todo o país padronizarão o registro eletrônico. A expectativa do mercado, no médio prazo, é que o ganho de eficiência seja incorporado pelos bancos e isso se traduza em redução do spread cobrado nas operações imobiliárias.
Todos os 3.621 cartórios de registro de imóveis dos Estados e do Distrito Federal, que estão sob o guarda-chuva do ONR, por meio da atualização do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (SREI) serão afetados pela mudança. Constatação da própria ONR dá conta de que atualmente uma mesma operação (compra, venda ou financiamento de um bem) pode ter nomes, formatos e estruturas diferentes dependendo do Estado, o que dificulta a integração com bancos e impede a automação em larga escala.
Segundo o Vice-presidente do ONR, Fernando Nascimento, o oficial de registro tem liberdade para redigir os atos, priorizando uma estrutura narrativa. Em um modelo digital integrado, no entanto, que precisa de diálogo entre os sistemas, a falta de padrão vira empecilho. “E existem divergências entre os Estados, como características locais de linguagem. Às vezes há normas e orientações locais para padronização que criam ‘despadronização’ com os sistemas de outros locais, com textos, nomenclaturas e estruturas usadas”, acrescenta, pontuando que hoje o banco precisa de uma equipe para interpretar os documentos de certidão de imóvel para ser usado como garantia, por exemplo, necessidade esta, garante, que será minimizada com a padronização nacional.
“A pessoa pode ter mudado de estado civil, o imóvel pode ter mudado de características com uma construção adjacente ou o imóvel pode ter sido usado em garantia que já foi paga, mas o registro continua lá. O banco precisa interpretar todas essas informações hoje para chegar à situação atualizada do imóvel, se tem ônus, gravame. Um financiamento imobiliário, que costuma ter várias etapas, ir e voltar entre o banco e o cartório, pode ter o prazo reduzido. O processo tende a ficar mais rápido e, consequentemente, mais barato. Se o banco tem o menor custo para operacionalizar o financiamento, esse menor custo vai ser refletido na taxa de juros”, explica ele.