O jornal Folha de São Paulo publicou reportagem afirmando que o Governo anunciará novas regras para baratear a captação para os bancos, o que poderá dobrar os números do financiamento da casa própria em dez anos. Segundo o jornal, o governo fixará um prazo para o uso mais flexível da poupança pelas instituições financeiras e, ao fim do período, os bancos precisarão conceder novos financiamentos imobiliários para continuar usufruindo dos recursos da caderneta com maior liberdade na aplicação – a tendência é que esse prazo fique em torno de cinco anos.
“No novo modelo, não haverá direcionamento da poupança para o crédito imobiliário, nem depósito compulsório. O dinheiro da caderneta ficará sem carimbo, e o banco poderá usá-lo para fazer outras aplicações com rendimentos maiores, desde que tenha concedido financiamentos habitacionais em valor correspondente. A avaliação é que o desenho deve incentivar um crescimento exponencial do estoque de crédito imobiliário no país, hoje em torno de 10% do PIB (Produto Interno Bruto). O patamar está abaixo do observado em países como Chile, Colômbia e África do Sul, onde a modalidade corresponde a 20% a 30% do PIB. Estimativas internas indicam a possibilidade de o Brasil dobrar o estoque de crédito habitacional em uma década a partir da implementação das novas regras. Os detalhes finais do novo modelo estão sendo fechados pela Casa Civil, pelos ministérios da Fazenda e das Cidades e pelo Banco Central. A Caixa Econômica Federal, principal operadora do crédito habitacional, também participa das discussões”, informou a Folha.
Segundo o jornal, o Governo pretende quebrar o vínculo direto que existe hoje entre poupança e crédito imobiliário e incentivar a migração para fontes de financiamento de mercado, usando instrumentos que já existem, como a Letra de Crédito Imobiliário. Já os ganhos obtidos pelas instituições com o uso flexível da poupança seriam usados para manter juros menores no crédito habitacional, amenizando o repasse do custo de mercado para os mutuários. “Simulações feitas pelos técnicos indicam que usar a poupança para fazer essa equalização é suficiente para manter estável o custo do crédito imobiliário para os tomadores”, garantiu o jornal paulista.
“Na prática, o novo modelo funcionará da seguinte maneira: o banco empresta R$ 100 em crédito imobiliário, tendo como fonte de recursos R$ 100 captados no mercado por meio de LCI. A concessão do financiamento habitacional desbloqueia R$ 100 da poupança para uso livre. A ideia é que a transição seja feita de forma gradual, conforme os atuais contratos de financiamento forem sendo quitados, e os recursos da poupança, devolvidos. Hoje, o estoque de crédito com dinheiro do SBPE está em torno de R$ 800 bilhões, dos quais R$ 40 bilhões são amortizados (e concedidos novamente) todo ano. O novo modelo, porém, já teria no primeiro ano um montante maior do que esses R$ 40 bilhões. Como a proposta dispensa o compulsório, outros R$ 8 bilhões (em números aproximados) ficarão disponíveis para as instituições financeiras e poderão ser acessados se elas concederem crédito imobiliário em valor correspondente”, explicou o jornal.