Em franca fase de expansão, o mercado de capitais nacional vive um momento único de desintermediação bancária e avanços tecnológicos, com consequente crescimento de relevância, volume de transações e maior acesso por parte de investidores. Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), debêntures financeiras de companhias não listadas, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs), por exemplo, crescem sistematicamente, e este é apenas o começo de um novo panorama.
O patrimônio sob gestão dos FIDCs, por exemplo, dobrou de 2022 até aqui, hoje alcançando o valor de R$ 690 bilhões e superando o volume dos fundos de ações, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). O mercado de fundos como um todo cresceu 32% neste período.
E no setor imobiliário, qual é o impacto deste pujante mercado de capitais? Instrumentos de financiamento privado, como CRI, Fundos de Investimento Imobiliário (FII), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras Imobiliárias Garantidas (LIG) crescem e já respondem por 38% do funding do financiamento imobiliário, enquanto a poupança recuou para 36%. Ou seja, o mercado de capitais superou, pela primeira vez, a poupança e passa a ser a principal fonte de recursos.
“A concentração bancária que vem ocorrendo desde a crise de 2008 abriu espaço para butiques e assets ganharem protagonismo na originação de ativos relacionados a pequenas e médias empresas. O crescimento de plataformas de investimento cuja distribuição de produtos é feita por agentes autônomos dá vazão ao escoamento desses ativos. Fora o próprio crescimento dos fundos dedicados ao mercado de crédito, que demanda ativos de maior complexidade e retorno esperado. Soma-se a isso a taxa básica de juros em nível muito alto, que atrai fluxo de alocação em ativos que rendam acima do CDI, ainda trazendo a reboque vantagens tributárias como isenção de imposto de renda ou ausência de ‘come cotas’ em ativos e fundos de renda fixa“, explica o jornal Valor Econômico, em artigo sobre o tema.
A digitalização e a bancarização de ativos financeiros são movimentos que apontam para onde o mercado de capitais caminha. “O crescimento das plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), que utilizam contratos inteligentes para criar serviços financeiros sem intermediários, está revolucionando a forma como os ativos são geridos e negociados. Essas tendências estão moldando o futuro do setor financeiro, promovendo maior eficiência, transparência e inclusão”, conclui o jornal.