A alta da Selic, que chegou a 15% ao ano, não foi capaz de barrar o avanço dos três maiores bancos no financiamento à habitação. Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander contabilizam um crescimento de 13,5% no terceiro trimestre de 2025, e suas carteiras de crédito imobiliário à pessoa física chegaram a R$ 321 bilhões.
Trata-se de uma expansão bem maior do que o crescimento da carteira de pessoa física como um todo, que pulou 7,5% no período, para R$ 1,15 trilhão. Decerto que o crédito imobiliário sentiu com a alta dos juros, mas é considerado pelos bancos como um importante instrumento de fidelização de clientes, por ser um produto de prazo longo. “É uma forma dos bancos tradicionais de tentarem reter clientes, porque é um contrato de prazo muito longo. O cliente até pode pedir a portabilidade, mas não é algo tão trivial de se fazer”, explica o Analista do Citi, Gustavo Schroden, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.
Segundo O Estadão, entre os bancos privados, o Itaú chegou a 47% de participação no segmento, com aumento de 15% na carteira em 12 meses, para R$ 137 bilhões. De janeiro a setembro, a instituição financeira originou R$ 24 bilhões nessa frente, um incremento anual de 24%. “Estamos com 47% em um produto que é muito relevante para o relacionamento com o cliente e para a visão de longo prazo e em uma carteira em que temos, estruturalmente, um saldo de poupança maior entre os privados”, afirmou o CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, na teleconferência com analistas.“Temos uma base de funding e um balanço que nos permitem crescer mais que os concorrentes”, reforçou o Diretor de Estratégia Corporativa, RI e M&A Proprietário do banco, Renato Lulia.
O Santander observou uma alta de 9% no seu portfólio imobiliário de pessoa física na comparação anual, chegando a uma carteira de R$ 71,8 bilhões. “O imobiliário é um dos pontos de destaque do nosso desempenho do último trimestre, e eu acredito que vai continuar sendo pelos próximos”, confirmou o CEO do banco, Mario Leão.
Já o Bradesco contabilizou um crescimento de 14,5% da sua carteira imobiliária para pessoa física, que em setembro chegou a R$ 11,99 bilhões. Seu CEO, Marcelo Noronha, disse que o banco colocará o pé no acelerador no ano que vem, diante do esperado corte de juros. “Vocês vão ver isso mais para o fim do ano, no início de 2026, que vamos para cima, decolando. Temos demanda e capacidade de voltar a crescer, e vamos voltar a crescer”, disse ele.
Noronha aposta, ainda, no novo modelo de crédito imobiliário. “O Bradesco considera o pacote de medidas como um ponto de partida importante para as necessárias modernizações do sistema de financiamento imobiliário”, garante ele. “O imobiliário é um destaque em nossa performance e vai continuar sendo”, garante Leão, ao afirmar que o banco recebeu o novo modelo “positivamente” e com confiança.