O desejado recuo das taxas de financiamento imobiliário não acontecerá em um curto prazo de tempo, embora o ciclo de alta da Selic tenha sido encerrado. De acordo com Priscilla Basso, Coordenadora de Crédito Imobiliário da Melhortaxa, a maior plataforma digital de crédito imobiliário do país, o mercado acompanha a queda da taxa básica de juros e outros fatores importantes, como as mudanças nas regras de Letras de Crédito Imobiliário (LCI).
“As instituições estão mais chatas para a liberação de crédito diante do cenário de inadimplência e aumento do risco, com muitas delas focando os recursos para correntistas com relacionamento”, pontua a gestora. Ela lembra que, além do maior custo, o avanço das taxas para um patamar acima de 12% tem outros efeitos negativos para quem deseja comprar um imóvel. “Quando os clientes financiam o primeiro imóvel por meio do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), há um desconto de 50% dos gastos com cartório caso a taxa seja menor que 12%. Pode parecer pouco, mas no momento da compra qualquer economia é bem-vinda”, diz. Entidades representativas do setor da construção civil (ABRAINC, Aelo, CBIC e Secovi-SP) estimam um aumento de até 0,7% nas taxas, prejudicando especialmente a classe média, pequenos investidores e trabalhadores que querem realizar o sonho da casa própria.
“Com a ampliação do Minha Casa Minha Vida para classe média, os bancos estão perdendo parte dos financiamentos e poderão ter que reajustar as taxas”, destacou Priscilla. Ela também se mostra preocupada com as mudanças nas regras das LCIs, como o possível fim da isenção tributária oferecida para pessoas físicas que investem nos títulos. “A LCI é um dos componentes que formam o preço do crédito imobiliário. Se você aumentar o custo dela, o preço deve aumentar”, concorda o Presidente da ABECIP, Sandro Gamba.