A Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança acredita que a expansão do crédito imobiliário para 2013 será de 15% em relação ao ano passado. “O crédito imobiliário tem peso crescente nas operações de crédito, mostrou um comportamento satisfatório, em 2012, e tem tudo para se fortalecer, em 2013”, afirmou em entrevista coletiva o presidente da Abecip, Octavio de Lazari Junior. Segundo ele, alguns indicadores da situação macroeconômica, diretamente relacionados com o financiamento habitacional e o mercado de imóveis, apresentam tendência de recuperação: o crescimento econômico do País, em 2012, da ordem de 1% segundo a pesquisa Focus, do Banco Central, embora inferior ao previsto no início do ano (3,3%), tem perspectivas bem melhores, neste ano, estimando-se alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,2%; a desocupação medida pelo IBGE caiu de 6%, em 2011, para 5,6%, em novembro, com tendência a continuar caindo, nos menores níveis históricos; a renda média real evoluiu significativamente, em 12 meses, de R$ 1.740,00, em outubro de 2011, para R$ 1.810,00, em outubro de 2012; e o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) medido pela FGV, estava em 121,7 pontos, em dezembro, acima do seu nível médio histórico de 112,5 pontos. “Graças a esses fatores, houve consolidação do crédito imobiliário, em patamares elevados, no ano passado. Alguns aspectos são importantes para avaliar 2012. O aumento do endividamento pessoal não resultou em aumento do comprometimento da renda familiar, devido a um fato relevante, até agora pouco destacado: o endividamento se deveu, na maioria dos casos, à contratação de financiamento à moradia. Em vez de pagar aluguel (que não entra no cômputo do endividamento), o mutuário tomou uma dívida imobiliária de longo prazo (que eleva o endividamento). Excluindo o endividamento com a aquisição do imóvel, o restante do endividamento das famílias é estável desde fins de 2010. O mercado imobiliário foi caracterizado, em 2012, pelo aumento das vendas ao mutuário final e pela diminuição dos lançamentos. Com a diminuição dos lançamentos, entre 2011 e 2012 (de 1.600 para 1.086 empreendimentos) os estoques estão em queda, o que permite antecipar uma recuperação das ofertas, em 2013”, disse a entidade, por meio de nota oficial. “A estabilização do mercado imobiliário é ajudada pela diminuição do ritmo de reajustes dos preços dos imóveis, do máximo anual de 29%, em São Paulo, em 2011, para cerca de 15%, em fins de 2012, segundo o índice Fipe-Zap. O PIB da construção civil, que subiu 3,6%, em 2011, e estimados 2,1%, em 2012, está projetado para este ano em 3,7%, segundo avaliações privadas”, informa a nota. Segundo a Abecip, o comportamento do crédito imobiliário apresentou os seguintes dados: “o montante de operações com recursos do SBPE aumentou 3,6%, entre 2011 e 2012, de R$ 79,9 bilhões para R$ 82,8 bilhões; o crescimento dos empréstimos para aquisição final passou de R$ 44,7 bilhões, em 2011, para R$ 54,7 bilhões, em 2012 (+22%), enquanto o financiamento à construção diminuiu de R$ 35,2 bilhões para R$ 28,1 bilhões; comparando o primeiro com o segundo semestres, o montante de empréstimos do SBPE aumentou 23%, de R$ 37,0 bilhões para R$ 45,7 bilhões; o número total de unidades financiadas caiu de 493 mil para 453 mil, enquanto o valor médio de financiamentos cresceu de R$ 162 mil para R$ 183 mil; o último trimestre foi muito mais forte do que os trimestres anteriores; a relação entre o valor financiado e o valor do imóvel aumentou ligeiramente, de 63% para 63,8%, mas ainda é baixa; os mutuários dão entrada correspondente a 36,2% do valor do bem, em média; e a inadimplência superior a três prestações no crédito imobiliário é de 1,8%, baixíssima e em queda, em contraste com o aumento em outras linhas”. A entidade diz que nos últimos quatro anos, dobrou a participação do crédito imobiliário nas carteiras de pessoas físicas das instituições, atingindo 24,8%, em outubro de 2012; números informados pelo Banco Central dão conta de que o crédito imobiliário voltará a ser a maior carteira de pessoa física, no primeiro semestre de 2013. “A captação de recursos no SBPE foi extremamente positiva: o saldo de caderneta de poupança cresceu 18%, de R$ 331 bilhões, em 2011, para R$ 389 bilhões, em 2012 – foi o maior crescimento nominal da história, dando margem para os bancos continuarem a operar com os recursos da poupança. As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) também cresceram expressivamente”, garante a Abecip. As expectativas para 2013 são promissoras, acredita Octavio de Lazari Júnior: “Há confiança do consumidor, assegurada por emprego e renda crescentes. O setor da construção civil venceu obstáculos e os empreendedores esperam aumento de 10% nos lançamentos e de 5% nas vendas, em relação a 2012, segundo o Secovi. As prefeituras começam a “destravar” as licenças de construção e os bancos dispõem de recursos para atender toda a demanda de crédito imobiliário, principal foco de sua expansão. Numa projeção conservadora, o crédito deverá se expandir 15% em 2013, de R$ 82,8 bilhões para R$ 95,2 bilhões”, afirmou o executivo.