A Companhia de Habitação de Curitiba está usando um novo sistema construtivo que não emprega tijolos na sua concepção na construção de 1.136 apartamentos no Campo de Santana. O mesmo método de paredes em concreto já fora utilizado na construção do Residencial Cidade de Pávia, conjunto de 256 unidades entregue em março, e agora está sendo aproveitado nas obras dos residenciais Cidade de Broni, com 512 unidades, Cidade de Pádova, com 416, e Cidade de Novara, 208. “A capacidade produtiva neste sistema é de quatro blocos por mês, ou seja, 64 apartamentos erguidos, sem contar o acabamento. O sistema tradicional não chega à metade deste número”, explica Cezar Augusto Mores, engenheiro de uma das construtoras responsáveis pelas obras, acrescentando que as obras com paredes em concreto apresentam outas vantagens em relação aos métodos convencionais, como, por exemplo, a redução no desperdício de materiais. Ele pontua que há, ainda, um ganho de qualidade no emprego desse sistema construtivo. “As unidades tem um ótimo conforto térmico e acústico e a manutenção da moradia se torna mais fácil, pois não é necessário quebrar paredes para mexer nos encanamentos e fiações” diz Mores. O canteiro de obras conta com 170 operários trabalhando na construção dos 624 apartamentos e, segundo Mores, no sistema tradicional, para realizar a obra no mesmo prazo, seriam necessários pelo menos 700 homens. O engenheiro explica que o sistema convencional utiliza madeira para fazer as formas. “Toda esta madeira acaba virando resíduo, assim como os restos de tijolos e blocos de concreto. Nosso sistema só utiliza madeira na cobertura, que é pré-moldada antes da instalação. O novo método apresenta perda de madeira cinco vezes menor do que nas obras comuns”, garante Mores. Para ele, a principal vantagem é o maior controle do consumo de materiais, que gera menos resíduos no canteiro de obras. “Temos um canteiro limpo, sem acúmulo de caliça, nem de restos de madeira. O sistema com parede em concreto tem desperdício de cinco a seis vezes menor do que o sistema convencional”, afirma o engenheiro. Para o morador existe a vantagem na manutenção e na fixação de parafusos na parede. “É possível furar com brocas normais, as mesmas usadas em paredes de tijolos, porém não há o risco de furar nenhum encanamento. Com relação à manutenção, dentro do banheiro existe uma porta removível que dá acesso à toda a tubulação do apartamento”, observa Moraes. O custo final da obra, segundo a Cohab Curitiba, ainda é um pouco maior do que no sistema convencional, principalmente por se tratar de uma nova tecnologia com menos fornecedores dos materiais e porque o método necessita de mão de obra especializada, que requer um treinamento específico.