O Governo Federal tem metas ousadas para no crédito imobiliário nos próximos dez anos. De acordo com o Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, o objetivo é elevar a participação do setor no PIB para um patamar entre 15% e 20%. Hoje, essa participação é de algo em torno de 10%. O objetivo, explicou Mello, é “dar um salto” no patamar de financiamento habitacional no país, equiparando-o aos índices de países latino-americanos, como o Chile, por exemplo.
O Ministério da Fazenda aponta três movimentos que sustentarão a expansão do crédito imobiliário, e todos eles em curso. O primeiro deles é a retomada e aceleração do programa Minha Casa, Minha Vida, e o Governo pontua que a meta de entregar dois milhões de unidades até 2026 será alcançada até o fim deste ano. “A projeção é chegar a três milhões em 2026”, garante Mello. Segundo ele, o ritmo acelerado do programa reduziu o déficit habitacional brasileiro de 10,2% para 7,6%.
O segundo movimento em curso é o funding. De acordo com o Secretário, a parcela do Fundo Social do pré-sal até então não regulamentada passou a ter uso definido com a promulgação da Lei 15.164/2025, que ampliou o escopo de aplicação desses recursos e autorizou sua destinação a políticas públicas essenciais, com ênfase na habitação de interesse social. “Isso viabilizou o que chamamos de Faixa 4, ou Minha Casa, Minha Vida classe média, ampliando o alcance do programa e reduzindo a pressão sobre o SFH”, explicou.
Por último, o Ministério da Fazenda aponta a mudança no financiamento via poupança. Mello lembrou que as mudanças atingem o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), alterando o modelo que direciona 65% dos depósitos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para o crédito habitacional. “Em 2025 teremos o primeiro teste: liberação equivalente a 5% dos compulsórios, algo entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões, para construir o novo modelo”, afirmou, lembrando que o sistema sofrerá uma transição de dez anos.
“Há 10 anos, desde a crise 2015, a gente não via um crescimento sustentável da economia brasileira. A média de crescimento entre 2015 e 2022 é em torno de 1% a 1,5% do PIB por ano, um crescimento muito baixo para um país com tantas dificuldades sociais e econômicas. Inclusive, do ponto de vista fiscal, é muito difícil você construir equilíbrio fiscal com crescimento de 1% público, porque a receita não responde. Então, nós estamos conquistando pela primeira vez um ritmo de crescimento mais próximo de 2,5% e 3%, que é o que o próprio FMI diz que hoje é o crescimento potencial do Brasil. Se você não tiver um cenário macroeconômico adequado as empresas não conseguem manter um ritmo de investimento”, finalizou Mello.