Especialistas apontam que houve um credit crunch (período de forte contração do crédito) no setor imobiliário, mas que o mercado de capitais está conseguindo ocupar esta lacuna. Em entrevista à Folha de São Paulo, Alessandro Vedrossi, Sócio-diretor de ativos reais da Valora, ressalta o papel do mercado de capitais no funding do financiamento da casa própria. “Cada vez mais a gente vê o aumento da importância de outras fontes e que hoje representam parcela importante do financiamento imobiliário. As companhias têm um pouco mais de dificuldade para tomar dinheiro, além do preço, que ficou mais caro, e claramente as estruturas de mercado de capitais têm sido a grande alternativa para financiar a produção, desde a aquisição de terrenos”, diz ele.
Vedrossi não acredita que o dinheiro advindo da poupança acabará, porém perderá, em sua opinião, seu protagonismo histórico. “O mercado de capitais tem total capacidade para concorrer de maneira extremamente eficiente do ponto de vista operacional em relação aos bancos e, hoje, do jeito que a taxa de juros está, consegue concorrer com preço”, garante ele, pontuando que a conexão entre gestoras de recursos com emissores conseguiu criar produtos iguais “ou até mais eficientes do que o plano empresário, financiado pelo setor bancário tradicional”.
Também ouvido pela Folha, o Sócio-fundador da Capitânia Investimentos, Arturo Profili, lembra que o mercado de capitais pulou de R$ 1 trilhão para R$ 5 trilhões em quatro anos, crescendo a uma taxa de 35% a 40% ao ano, por força do volume detido pelas assets e de participantes como pessoas físicas, fundos de pensão e os bancos. “Neste contexto, há uma grande oportunidade de crescimento para os gestores de recursos na interação com o mercado de capitais e adequação às necessidades das empresas, no mínimo dá para buscar um tamanho similar à soma dos dez principais bancos. Hoje, dá para dizer com segurança que há de 50 a 100 gestoras brasileiras muito bem equipadas em tamanho, equipe, conhecimento e experiência com patrimônio entre R$ 5 bilhões e R$ 100 bilhões. Bancos e assets são um ecossistema que vai perdurar muito tempo e o mercado está cada vez mais rico e mais forte, com oportunidades para diferentes perfis”, afirma ele.