Neste segundo trimestre do ano, o número de empregos formais na construção civil ultrapassou a marca histórica de 3 milhões pela primeira vez desde 2014, porém o crédito à produção sofreu uma retração expressiva, acendendo o alerta do setor para o médio prazo. De janeiro a maio foram financiadas apenas 24.115 unidades com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), o que representou uma redução de 62,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em valores, a queda chegou a 54,1%, passando de R$ 15,5 bilhões para R$ 7,1 bilhões.
Os números foram divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). De acordo com a Economista-chefe da entidade, Ieda Vasconcelos, há um “descompasso” entre a alta da taxa Selic e a queda sistemática na captação líquida da caderneta de poupança, que perdeu R$ 38,4 bilhões só no primeiro semestre. “O custo do crédito está elevado tanto para o comprador quanto para o construtor. Os bancos têm priorizado o financiamento à aquisição, em detrimento da produção”, ponderou ela.
“A construção civil segue gerando empregos, movimentando a economia e contribuindo para o crescimento do país, mesmo diante de um cenário de juros altos e crédito restrito. Os dados mostram a força e a resiliência do setor, mas também reforçam a urgência de medidas que garantam um ambiente mais favorável à produção e ao investimento”, acrescentou Renato Correia, Presidente da CBIC.
Ainda assim, a entidade manteve sua projeção de crescimento para 2025 em 2,3%, pela segunda vez consecutiva. Sua Economista-chefe disse que a CBIC mantém “um leve otimismo”, sustentado pela inércia de lançamentos anteriores, que ainda geram atividade e emprego no presente. “Estamos vivenciando o reflexo do que foi lançado nos últimos dois anos. Se o atual ambiente de juros elevados persistir, há risco de desaceleração mais acentuada a partir de 2026”, alertou ela.